* Mais um gatinho abandonado, mais uma história de indignação.

Posted on June 17th, 2009 by Fernanda. Filed under gatos.


Aconteceu coisa de três anos atrás. Eu caminhava em direção ao ponto de ônibus, estava indo para o trabalho, era meu primeiro emprego e eu entrava às nove.

O caminho era o mesmo de sempre, que eu já conheço há muitos anos. A paisagem quase sempre é a mesma, às vezes tem um buraco novo na calçada. Naquele dia tinha um gato, tigrado de cinza, deitado no chão perto de uma lixeira. Eu diminuí o passo, parei por um segundo ou dois enquanto ele me olhava, chegou a levantar a cabecinha. Apesar de não apresentar nenhum machucado visível, nem parecer enfraquecido, era estranho que ele estivesse ali tão sossegado entre os transeuntes, inclusive vizinhos passeando com seus cães.

Continuei meu caminho. Ainda que o gato precisasse de alguma ajuda, pensei comigo, que poderia fazer? A clínica veterinária não era perto, eu tinha pouca experiência com gatos e não podia chegar atrasada ao trabalho. Até hoje tento me convencer de que ele estava bem, só estava ali deitado por vontade própria, mas o fato é que nunca mais o vi.

Então eu até entendo que as pessoas passem por um gato (ou cão) aparentemente saudável e sequer tomem conhecimento. Com todas as mazelas que vemos diariamente numa cidade como São Paulo, a maioria das pessoas se torna insensível, é comum. Agora, quando eu vejo casos como esse (cuidado, as imagens são fortes), relatado no blog do Adote um Gatinho, me dá vontade de espancar não só o “ser humano” irracional que fez isso, como todos os outros insensíveis que não tomaram conhecimento. Porque infelizmente o gatinho não vai sobreviver, mas quem fez isso com ele segue vivo e impune. Onde está a justiça?

-=-=-
Muitos outros gatinhos são ajudados pelas meninas do Adote um Gatinho todos os dias, alguns chegam mesmo em estado terminal mas conseguem ser salvos graças ao trabalho incansável das voluntárias. Se essa história te comoveu, nem que seja só um pouquinho, visite o site e conheça o trabalho delas, divulgue, faça uma doação se puder, os gastos andam muito grandes e elas precisam muito. Sua ajuda pode salvar uma vida, e isso não tem preço. Eu agarântio. =’)

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* Karaokê pós-Twitter

Posted on May 3rd, 2009 by Fernanda. Filed under pensamentos.


Esse ano, um grande amigo meu resolveu fazer sua festa de aniversário num karaokê. Eu gosto de karaokê, mas sempre acho a tarefa de escolher uma música no cardápio bem difícil. Já reparou? A gente vai passando os olhos na lista, pensando “olha, eu gosto dessa música! hm, mas não sei a letra direito, vai comprometer o ritmo… ah, tem essa! … não, não gosto dela o suficiente pra pagar esse mico”. Até que, um drink ou dois mais tarde, qualquer música é a melhor do mundo e a vergonha de palco passa longe.

Via de regra, os cardápios musicais estão sempre atualizados com o cenário musical brasileiro. Não se pode dizer o mesmo da parte internacional, onde a música mais recente é “Oops, I did it again”, mas no meio da “velharia” uma música me chamou a atenção. Apontei-a na lista para o Diego: “Rick Roll! Eu preciso cantar isso!”, mas a resposta foi decepcionante. “Fique à vontade, mas ninguém vai entender”. Decepcionante porque era verdade.

Você sabe que passa tempo demais no Twitter quando vai a um karaokê e não consegue emplacar um Rick Roll ao vivo, pois as outras pessoas não sabem do que se trata.

Meh.

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* Seis fatos aleatórios sobre mim

Posted on March 15th, 2009 by Fernanda. Filed under aleatoriedades.


Eu adoro testes e memes em geral. Já tinha visto esse aqui no Chá de Hortelã e fiquei com vontade de fazer o meu também, mas ficou guardado no fundo da memória - ou seja, esqueci. Hoje vi que o Efetividade também levantou a bola, e já que este blog é pessoal de minha pessoa achei o tema muito pertinente para um post. Aqui vai.

1. Estudei alemão por 13 anos como parte do currículo escolar, até o final do ensino médio. Atualmente só consigo articular frases simples, por falta de treino, mas entendo o suficiente e consigo imitar os sons muito bem. Aliás, acho facílimo aprender a fonética de línguas estrangeiras.

2. Participei do Coral da ECA na faculdade, para ganhar créditos de optativa e poder me formar. Naquele ano a peça era a 9ª Sinfonia de Beethoven, que eu aprendi a cantar de memória pois não sei ler partitura direito. Descobri que sou soprano e ainda me apresentei com o Coral e a OSUSP na Sala São Paulo por três vezes.

3. Não gosto de usar as unhas das mãos curtas, porque quando criança elas eram cortadas no toco e doía muito. Hoje em dia só lembro de apará-las quando quebram ou quando o comprimento atrapalha na digitação. Também não tenho saco de usar esmalte, mas quando passo acho lindo.

4. Tenho um piercing no umbigo e há anos morro de vontade de fazer uma tatuagem, mas nunca consegui me decidir por um desenho.

5. Já quis ser veterinária e psicóloga, mas acabei escolhendo editoração porque nos grupos de trabalho de colegial eu era a única que tinha scanner, e portanto ficava responsável pela diagramação. Como bônus, na segunda fase da Fuvest precisei fazer apenas as provas de Português e História. O curso era extremamento voltado para o mercado livreiro, e apesar de ter trabalhado em uma editora após a formatura nunca mais mexi com livros.

6. Sou ligeiramente fotofóbica, tenho que usar óculos escuros mesmo em dias nublados porque as nuvens refletem muita luz. Em compensação, minha visão noturna é excelente, preciso de um mínimo de luz para me localizar, mesmo que com isso não enxergue cores às vezes. Claro que isso não se aplica a dirigir à noite, porque os faróis dos outros carros me atrapalham.

As regras do meme dizem que eu devo escolher seis pessoas para participar, mas eu prefiro deixar por conta da vontade de vocês. Só peço que me deixem um comentário caso resolvam brincar também, tá? =)

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* Aventuras na selva do transporte público

Posted on March 5th, 2009 by Fernanda. Filed under cotidiano.


Crédito: Bruno Heilig, 2006Lá em Londres um dos meus flatmates uma vez me disse que “você pode se considerar um verdadeiro londrino quando começa a reclamar do transporte público”. Mandei ele à merde.

É fato um tanto quanto indiscutível que o ser humano é insatisfeito por natureza. Também sei que não existe muita base de comparação quando só se conhece um lado da situação. Mas, pombas, como diabos eles podem reclamar daquele sistema tão lindamente organizado e funcional? Já viram o mapa do metrô de Londres? Tem quase uma estação em cada esquina. Já viu ônibus passar no horário marcado? A maioria dos pontos tem aquelas telas que informam a previsão de chegada de cada ônibus, e não falha. Concordo que não morei lá tanto tempo assim, eu sei que nem tudo é perfeito e outras pessoas podem ter uma opinião diferente. Mas vai comparar com o sistema de transporte público de… sei lá, São Paulo.

Vou contar um causo. Semana passada precisei fazer uma pequena viagem até o Brooklin, no outro lado da cidade. Saindo da Av. Paulista, eu sempre ia de metrô até a Vila Madalena, de onde pego a Ponte Orca até a estação da CPTM Cidade Universitária e de lá o trem até a Berrini. Resolvi fazer a mesma coisa, já que atravessar a cidade de metrô ainda é mais rápido. Pois bem, o trecho percorrido de trem corresponde a 20% do trajeto, mas é de longe o pior. Os trens estão sempre, sempre lotados e os passageiros têm a péssima mania de não abrir espaço para os outros desembarcarem nas estações de jeito nenhum.

Naquele dia específico a situação estava caótica. Por causa das chuvas, uma das linhas na zona leste estava parada devido aos alagamentos na região; por conseqüência, todas as outras linhas têm a “velocidade reduzida e maior tempo de parada nas estações”. Some a isso o gado a multidão de trabalhadores em fim de expediente, e seja bem-vindo ao inferno. Já prevendo a situação, fiquei o mais próximo que pude da saída, a fim de facilitar o meu desembarque, tarefa que se provou impossível. Com o atraso nos trens, a massa acumulava-se em proporções geométricas e invadia cada milímetro dos vagões em cada parada, me empurrando para longe da porta. Chegou ao ponto de os passageiros que já estavam no trem segurarem as portas para que outras pessoas não pudessem entrar, tamanho o aperto. Aliás, chega a ser impressionante a capacidade dos usuários da CPTM de desafiar as leis da física - dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar do espaço ao mesmo tempo o caramba!

O resultado é que sim, pude finalmente descer na estação que precisava, mas para isso precisei atropelar a massa que invadia o vagão. Como consegui tal façanha? Uma moça simpática na plataforma agarrou meu braço e me puxou para fora do trem! Mas aprendi, também, nunca mais faço esse trajeto. Descobri rotas alternativas de ônibus que demandam menos tempo e muito menos stress.

É o transporte público de Londres que não presta? Pois eu desafio qualquer londrino a utilizar o transporte paulistano um único dia que seja e sair vivo. Ora bolas…

Crédito da foto: Bruno Heilig, 2006

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* Pequena nota mental

Posted on March 4th, 2009 by Fernanda. Filed under pensamentos.


O simples fato de não morar mais sozinha em outro país não é motivo suficiente para parar de escrever no blog.

Mil desculpas pelo hiato, minha gente! O blog não morreu, não, apenas entrou em um período de inércia junto com a autora. Qualquer hora comento sobre isso.

Hoje mesmo tem post fresquinho saindo. Obrigada aos que ainda estão por aqui. =)

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* Ponha-se na Rua

Posted on January 22nd, 2009 by Fernanda. Filed under vida de estudante.


Na sexta-feira passada recebi um aviso por escrito do departamento de acomodação da universidade, lembrando-me que meu contrato está acabando e eu devo vagar o apartamento até as 10h do dia 26.

Coincidência ou não, no mesmo dia completei quatro meses aqui em Londres. Foi muito rápido, mesmo que às vezes parecesse que nunca ia terminar. As atividades do curso terminaram oficialmente hoje, com a última prova e entrega do último trabalho. Notas, agora, só em março.

Amanhã mesmo volto ao Brasil, e ainda em tempo de pegar o finalzinho da Campus Party. Durante a semana já cuidei das burocracias no pouco tempo que me sobrou entre um trabalho e outra prova. Conta no banco encerrada, cartão do NHS devolvido. Logo de manhã começa o deja-vu da arrumação das malas: decidir o que vai e o que fica (e com quem fica), jogar um monte de coisa fora, prestar atenção para não esquecer nada e dar um jeito de caber tudo.

Até breve, galera. Pensamentos positivos para não me pararem na alfândega, sim? =)

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* Um crash tour de Paris

Posted on January 9th, 2009 by Fernanda. Filed under viagem.


Seguindo a linha de passeios invernais, Kikachan e eu fomos para Paris. Esperamos passar Natal e Réveillon e ainda deixamos para ir durante a semana porque a passagem era mais barata - pobre é terrível. O plano era bem simples: 5 e 6 de janeiro (segunda e terça), vamos de manhã, passamos a noite e voltamos no final do dia seguinte. E correr muito pra ver tudo.

Saindo aqui do flat, uma grata surpresa: havia nevado um pouco durante a madrugada, a rua estava branquinha. Pegamos o trem das 5h30 - eu falei que a passagem era barata? Não tinha muita paisagem pra ver, mesmo porque o trem atravessa o Canal da Mancha por um túnel, mas quando começou a clarear, já na França, mais neve. Nisso minha irmã não poderia ter ficado mais feliz, já que ela gosta de frio e a neve era o ápice. Nevou o dia inteiro, aliás, e o frio ajudou a me manter acordada, já que não consegui dormir no trem.

Pegamos o metrô e corremos para o albergue fazer o check-in e largar a mochila. E se eu já achava a extensão do metrô de Londres absurda, o de Paris nem se fala. Foi o nosso principal meio de transporte, já que cobre a cidade inteira. Existem dois tipos de bilhetes que podem ser usados por turistas, o comum, que é vendido individualmente ou em carnets de 10 com desconto, ou passes válidos para o dia inteiro. Se você vai usar muito metrô, ônibus e trem, o passe diário vale a pena; se não, o carnet tá de bom tamanho. Usamos um inteiro cada uma, exatamente.

Em primeiro lugar fomos ao Louvre, porque levaria mais tempo. Já sabendo que não daria para ver tudo, o lugar é imenso e estava lotado - e como tinha brasileiro! -, escolhemos algumas alas, incluindo as mais famosas, e encaramos as massas.  Eis que durante o passeio, ao lado da Victoire de Samothrace, - no meio de um monte de gente, dentro de um museu gigante, numa cidade enorme -, dou de cara com Maestro Billy e Mellancia!  Paguei de tiete, trocamos figurinhas, tiramos fotos (porque se não tem foto, não aconteceu) e continuamos o passeio. Mundinho pequeno da peste… =D

Chegamos a visitar a Mona Lisa, sim. Provavelmente a pintura mais famosa do mundo, mas vou te falar, nem é tudo isso, ó. Por causa da segurança não dá para chegar perto, e sempre tem a característica rodinha de gente na frente. Os outros quadros que estão na sala acabam sendo mais interessantes. Mas vá lá, fomos, vimos a Gioconda, registramos. Sigamos em frente.

Saindo do Louvre, fomos andando até a Ile-de-France, onde fica a Notre Dame, entre outros pontos. A catedral é linda, e a menos que você queira subir nas torres a entrada é gratuita. Vale a pena ver os vitrais, tanto dentro como fora. O altar é bonito, tem muitas esculturas legais e as cadeiras são mesmo de palha. Não conseguimos ver todos os ângulos e contar gárgulas, porque o tempo era curto e o frio não ajudava, mas rendeu boas fotos da entrada. Em seguida andamos até o Hôtel de Ville e pegamos o metrô novamente para ver as Arènes de Lutèce. Que tem isso, você pergunta? História, meu caro. Leia Asterix. ;)

Infelizmente o parque onde fica a Arena já estava fechado, e como já escurecia e o cansaço bateu fortíssimo fomos fazer as compras do dia e voltamos para o albergue. Esse que, aliás, só valeu pela localização, que era bem central. De resto, a infra-estrutura era bem pobre, e apesar de estar incluso no preço o café da manhã era pão (com geléias e mateiga), suco, café, chá e um doce que parecia marmelada. Valeu para uma noite só, eu não recomendaria uma estadia mais longa.

Depois de umas dez horas de sono merecidas, seguimos para a Tour Eiffel. Saímos do metrô na Pont de l’Alma, de onde já se pode ver a Torre, mesmo com o excesso de nuvens. Andamos até lá, mas não pudemos subir pois estava fechada, provavelmente pelo tempo e a baixa visibilidade. Uma pena, teria sido legal ver a cidade do alto coberta de neve. Então andamos pelo parque do Champs de Mars, ainda coberto de neve (e parecendo uma geladeira, na minha opinião), até chegar à Ecole Militaire, de onde já se pode avistar a cúpula da capela do Invalides.

A vantagem de ver as coisas de longe é que não precisamos ficar consultando o mapa toda hora, e assim mantemos as luvas nas mãos. Les Invalides é um conjunto de prédios lindo, onde está o túmulo de Napoleão Bonaparte, entre outras coisas. Também há um museu de guerra, mas como era pago e tomaria muito tempo, não chegamos a entrar.

A parada seguinte foi a Champs-Elysées, para andarmos até o Arc de Triomphe. Perceberam o problema? A Champs-Elysées é um grande centro de compras, e com o frio que estava foi impossível não ficar parando em lojas bem aquecidas, o que nos tomou mais de uma hora. No fim das contas já estávamos tão cansadas de andar na Avenida naquele frio e com fome, que atravessamos a rua a uns dois quarteirões de distância pra tirar uma foto no meio do trânsito e pronto. Depois de almoçar e fazermos mais algumas compras, ainda demos uma passadinha na Bastille antes de ir embora.

E já que falamos em compras, Paris é a cidade para isso, não importa qual o seu gosto. No dia 7 começou a liquidação de inverno - que eu perdi por um dia, mas eu tinha aula, não dava -, que deve durar seis semanas. Mas que fazer compras em Paris é ótimo todo mundo sabe, nada de novo nisso. Impressionante mesmo foi a quantidade de mangás, animes e merchandising em geral que se encontra na cidade. A própria Virgin Megastore tinha uma seção do tamanho de dois quartos meus. Passeando por várias lojas, era mais fácil encontrar bonecos de Cavaleiros do Zodíaco do que merchandising do Asterix.

Por último, mas não menos importante, a culinária francesa, que é outro assunto a parte. Até o menor restaurante, barraquinha ou padaria enchem os olhos e dá vontade de experimentar tudo. Entre outras coisas, comemos uma pizza cuja massa derretia na boca, Macaron, e o crepe de nutella que o Forlani recomendou. Minha recomendação é: viu e bateu a vontade? Experimente, vai ser difícil se arrepender.

Se você está em Londres, é uma boa idéia passar uns dias em Paris e conhecer a cidade. No Wikitravel tem boas dicas de viagem. E não tem problema se você não fala francês, apesar da má fama os parisienses são atenciosos e dá pra se virar muito bem com inglês. Falo por experiência própria, pois meu francês é extremamente básico. Existem passagens de trem baratas durante a semana e fora de temporada comprando pelo site da Eurostar, e dá para passear bastante gastando menos de 100 euros por dia (hospedagem inclusa). Não tem desculpa. =)

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