Archive for the ‘pensamentos’ Category

* O que é violência para você?

Posted on November 25th, 2009 by Fernanda. Filed under pensamentos.


O dia 25 de novembro marca o início da blogagem coletiva das Luluzinhas pelo fim da violência contra as mulheres, lançada no último LuluzinhaCamp SP, dia 22/nov. Pareceu-me uma excelente desculpa para (finalmente!) espanar as teias de aranha desses meus balões.

Hoje comemora-se o dia da não-violência contra as mulheres. Mas o que é violência? Não é apenas uma coisa física, violência é muito mais do que espancar. Farei aqui uma reflexão bem rápida sobre o tema e, para isso, ressucitarei bem rapidinho a história da Geisy.

Sim, a menina do vestido curto, não vou ficar repetindo nem vou entrar no mérito da discussão. A história dela é um caso extremo, mas doses homeopáticas do que ela passou são comuns a todas as mulheres, e por isso me identifico com ela. Eu não sou de usar vestidos, por exemplo, nunca fui, ainda assim tenho meus eventuais momentos de “menininha”, de querer colocar uma blusinha mais bonitinha, uma roupa diferente, uma regata para aguentar o calor. Pois num dia desses é bom desviar daquela construção! Tem coisa mais desagradável do que passar na frente de uma obra e ficar ouvindo impropriedades dos pedreiros? Ou, pior, chegar no trabalho e ter que ouvir “Aaahhh, vai namorar hoje, é?” por estar usando qualquer coisa diferente dos habituais jeans-e-camiseta? Eu não quero ser julgada pelas roupas que visto, como imagino que a Geisy também não queria.

Indo mais além – e talvez fugindo um pouco do assunto -, não é só uma questão de vestuário, toda mulher sabe que não precisa estar vestida de maneira especial para receber cantadas inconvenientes. Nada me irrita mais do que ser abordada por um fulaninho qualquer. Parece pouco mas, para mim, isso é o princípio de todas as outras formas de violência, pois se um cara acha que pode invadir o meu espaço pessoal e inundar meus ouvidos de asneiras, já mostra que ele não tem o menor respeito por mim. O que impede um babaca dessa estirpe de passar a mão na minha bunda, ou pior?

Eu prezo muito pelo meu espaço pessoal, tá?

Foto por Gabi Butcher© (DiaPositivo Fotografia)

Foto por Gabi Butcher© (DiaPositivo Fotografia)

E para você, o que é violência?

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* Karaokê pós-Twitter

Posted on May 3rd, 2009 by Fernanda. Filed under pensamentos.


Esse ano, um grande amigo meu resolveu fazer sua festa de aniversário num karaokê. Eu gosto de karaokê, mas sempre acho a tarefa de escolher uma música no cardápio bem difícil. Já reparou? A gente vai passando os olhos na lista, pensando “olha, eu gosto dessa música! hm, mas não sei a letra direito, vai comprometer o ritmo… ah, tem essa! … não, não gosto dela o suficiente pra pagar esse mico”. Até que, um drink ou dois mais tarde, qualquer música é a melhor do mundo e a vergonha de palco passa longe.

Via de regra, os cardápios musicais estão sempre atualizados com o cenário musical brasileiro. Não se pode dizer o mesmo da parte internacional, onde a música mais recente é “Oops, I did it again”, mas no meio da “velharia” uma música me chamou a atenção. Apontei-a na lista para o Diego: “Rick Roll! Eu preciso cantar isso!”, mas a resposta foi decepcionante. “Fique à vontade, mas ninguém vai entender”. Decepcionante porque era verdade.

Você sabe que passa tempo demais no Twitter quando vai a um karaokê e não consegue emplacar um Rick Roll ao vivo, pois as outras pessoas não sabem do que se trata.

Meh.

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* Pequena nota mental

Posted on March 4th, 2009 by Fernanda. Filed under pensamentos.


O simples fato de não morar mais sozinha em outro país não é motivo suficiente para parar de escrever no blog.

Mil desculpas pelo hiato, minha gente! O blog não morreu, não, apenas entrou em um período de inércia junto com a autora. Qualquer hora comento sobre isso.

Hoje mesmo tem post fresquinho saindo. Obrigada aos que ainda estão por aqui. =)

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* Dois meses em Londres

Posted on November 19th, 2008 by Fernanda. Filed under pensamentos.


Na sexta-feira passada resovi ligar pra minha avó, fazia tempo que não conversava com ela. Da última vez que liguei pelo Skype já devia ser a hora do rush na Internet no Brasil, porque ela não conseguia ouvir nada. …não, vovó não é surda. Ela pode ter muitas coisas, mas ouve muito bem.

Durante nossa conversa ela comentou: “amanhã fazem dois meses que você chegou aí”. Não exatamente, já que eu saí do Brasil dia 15 mas só cheguei dia 16. Mas enfim, é fato que eu estou aqui há dois meses, então resolvi fazer um balanço, relembrar tudo que aconteceu até agora. Quase me sinto como se estivesse escrevendo uma daquelas redações sobre “minhas férias”.

Minha vida mudou muito nesse tempo. Óbvio ululante, primeira vez fora de casa e ainda por cima do outro lado do oceano. Descobri como morar sozinha pode ser excelente e horrível ao mesmo tempo – liberdade tem um preço, sim. Posso sair a hora que quiser sem dar satisfações a ninguém, mas também sou responsável por fazer compras, lavar roupas e manter a casa arrumada. Por outro lado, sei que tudo vai estar organizado do meu jeito. Me irrita ver minhas coisas fora do lugar – ouviu, mãe?

Já conheço a dificuldade de montar uma casa, e como é complicado dimensionar as compras do supermercado pra uma pessoa só, sem comprar comida de menos ou deixar estragar no final. Fazer compras, no geral, é um assunto espinhoso, principalmente numa cidade que você mal conhece e portanto não sabe onde achar as melhores ofertas – e nisso eu usei meu EeePC 900 como computador principal por um mês.

Dinheiro, claro, é sempre um problema. Gerenciar o orçamento, prestar atenção para não deixar o dinheiro acabar… Nessas horas eu realmente valorizo ter assinado o feed do Dinheirama. Isso, claro, sem contar o suplício que é abrir uma conta em banco.

A faculdade é um assunto à parte. Depois de cinco anos de aulas só na parte da manhã, e dois anos e meio trabalhando de segunda a sexta, ir à faculdade somente duas vezes por semana é muito estranho. O estilo de ensino envolve mais prática do que teoria, dando margem para muitas horas de estudo em casa, o que é muito bom.

Claro que nem tudo é trabalho e atribulações, sobra muito espaço para coisas divertidas. Por exemplo, eu moro a uma quadra de distância do cinema. Londres é uma cidade cheia de cultura, impossível ficar entediado. Além disso, ocupo meu tempo com trabalho voluntário em um abrigo de gatos na vizinhança. Vou lá duas vezes por semana para brincar com os gatinhos que estão disponíveis para adoção, às vezes ajudo com alguma outra coisa que estejam precisando, como carregar caixas. Falarei sobre esse trabalho com mais detalhes muito em breve.

Engraçado que são apenas dois meses, mas tem dias que é difícil imaginar minha vida de outra forma. Por anos, principalmente durante a “aborrescência”, eu imaginei como seria ter meu próprio espaço, ser dona do próprio nariz. Nunca é a maravilha que a gente imagina quando é mais jovem, mas tem seus bons momentos. Não acho que consiguirei voltar à minha vida de antes, quando acabar o curso, mas tudo bem. Mudança pode ser uma coisa muito boa.

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