* Epifanias de sexta à noite
Posted on October 24th, 2008 by Fernanda. Filed under aleatoriedades.
Amanhã termina o horário de verão aqui no Reino Unido. Como no Brasil ele começou na semana passada, significa que a partir de amanhã teremos apenas duas horas de diferença.
(É engraçado como parece pouco. Às vezes até me engana, parece mais perto do que é. Pensa bem, em duas horas você vai de São Paulo a Campinas de carro, ou faz duas viagens de ponte aérea. Mas aqui não, essas duas horas significam doze enfiada num avião, dormindo na posição mais desconfortável do mundo.)
Depois da grande comoção da noite, sentamos Matt e eu na cozinha para jantar. Não sei como diabos o assunto começou, mas de repente estávamos falando de horário de verão, e discutindo se perdemos ou ganhamos uma hora – no final foi concluído que ganhamos uma hora de sono, mas isso não importa. O fato é que foi bem difícil explicar pra ele como funcionava a dança dos fusos com relação ao Brasil, até que a lâmpada do Eureca! acendeu e ele se tocou de que estamos em hemisférios diferentes, que quando aqui é verão lá é inverno etc.
Na hora fez mais sentido até pra mim, confesso. Quando se está no Brasil é fácil, a gente sabe que quando começa adiantamos o relógio em uma hora, e quando termina, atrasamos. Mas vai fazer isso num hemisfério diferente, tendo que calcular que horas são no Brasil e pensar se tem gente em casa para poder telefonar.
No fim das contas ele me agradeceu muito, disse que eu fui a primeira pessoa a conseguir explicar pra ele exatamente como funciona o horário de verão. Depois começamos a discutir por que diabos é horário de verão e não de inverno, já que aqui a diferença no “tamanho do dia” é gigantesca – se no auge do verão anoitece perto das 22h, no inverno às 17h já escureceu -, mas não chegamos a nenhuma conclusão. Deixa pra lá.
* Atribulações tecnológicas
Posted on October 21st, 2008 by Fernanda. Filed under aleatoriedades.
Gente insatisfeita é terrível. O EeePC 701 é ótimo, eu juro que tentei me acostumar, mas a tela era muito pequena, mesmo. Comprasse logo um laptop decente, oras! Não dava. Menos de dez dias depois, ainda sem saber qual notebook eu queria, e com o limite do cartão na beira do precipício por conta da matrícula, voltei à loja para trocar o 701 pelo 900, pagando a diferença.
Foi uma decisão excelente, o Eee 900 tem tudo que eu já gostava no 701, mas com uma tela maior, o dobro de RAM e um SSD extra de 16Gb. Até ganhei desconto. Mas tinha um problema. Ao chegar em casa, percebi que o teclado estava ligeiramente solto, algumas teclas não funcionavam direito, inclusive. Voltei lá no dia seguinte mesmo, dessa vez pedi para testar antes de levar e estava perfeito…
… Até chegar em casa. Durante o transporte, o teclado se soltou. Não estava tão ruim quanto o anterior, mas ainda irritante. Dessa vez eu até tentei me acostumar, já que as teclas defeituosas só precisavam de uma forcinha extra para funcionarem. Não teve jeito. Voltei à loja uma semana depois.
Third time’s a charm, certo? Sim. Confesso que o teclado não apresenta a mesma leveza do 701, ainda precisa de alguma força vezenquando, mas esse ao menos não se soltou – até dei uns chacoalhões pra testar. Além do mais, eu já estava de saco cheio de ficar configurando o teclado pra acentuar direito.
Mesmo considerando todas as trocas, Eee me serviria muito bem como computador principal por um mês, até liberar saldo no cartão de crédito. Mas eu disse que gente insatisfeita é terrível. Foi o maior sufoco do mundo encontrar um laptop com a configuração que eu queria e que estivesse disponível na hora, sem ter que esperar por uma eventual reposição de estoque. Considerei inclusive comprar um montado, descobri uma loja online por indicação, mas não aceitavam cartão de crédito estrangeiro.
Pior: eu precisava urgente de um PC com windows para fazer os trabalhos da faculdade. Instalar qualquer coisa no Xandros é impossível, e pra trocar o sistema operacional eu corria o risco de dar alguma coisa errada (Murphy, lembra?) e ficar sem computador.
Ainda sem muita idéia, resolvi ir à loja uma semana atrás para comprar uma impressora, que estava precisando, e quem sabe me inspirar vendo os notebooks. Funcionou. Voltei pra casa não só com a impressora, mas com um Toshiba Satellite A300-15B. Não era tudo que eu queria (odeio esse glossy finish), mas chegou bem perto e eu fiquei feliz.
Já estou com tudo instalado e rodando (apesar do Vista…), e o mais legal foi poder arrancar o Xandros do Eee e instalar o Ubuntu. Agora só preciso de um roteador para compartilhar a Internet, já que não consigo fazer isso direto pelo Vista. Ou talvez só precise de um pouco mais de paciência pra achar uma solução…
* Eleições 2008: justificando o voto no exterior – agora com informações oficiais!
Posted on October 3rd, 2008 by Fernanda. Filed under utilidades.
Domingo agora já é dia de eleição, mas mesmo nós que estamos felizes e contentes no exterior temos obrigações com a Justiça Eleitoral.
Justificar o voto no território nacional é facílimo, você aparece em qualquer seção eleitoral com seu título ou um documento com foto e preenche um papelzinho. Aliás, mudernidades, você pode ir ao site do TSE, preencher e imprimir o formulário e levar pronto.
Para quem está fora do território, a coisa é diferente. Até uns meses atrás eu achava que era só dar as caras no consulado brasileiro e preencher o papelzinho, mas a coisa é um pouco mais burocrática. O site do TSE não oferece a informação muito facilmente, em geral é mais fácil achar o procedimento no site do consulado brasileiro em cada país.
No site do Consulado-Geral do Brasil em Londres, já de cara há um link sobre as eleições, onde há o passo-a-passo para a justificativa:
1 – Imprimir e preencher o Requerimento de Justificativa Eleitoral;
2 – Anexar cópia da carteira de identidade ou do passaporte válido, mais uma cópia de algum documento que justifique a ausência do eleitor (tipo passagem, cópia do visto, carta da escola comprovando a situação de estudante etc.);
3 – Encaminhar o Requerimento pelo correio diretamente ao Juiz Eleitoral do Cartório do Município brasileiro onde está cadastrado, até 60 dias após cada turno da eleição. O endereço do cartório você acha no site do TRE do seu Estado. Se te mandarem um comprovante, guarde.
Eu lembro também de ter lido em alguns sites que é possível justificar no próprio cartório até 60 dias do fim da viagem, munido de passaporte e passagens, mas não encontro nenhuma informação oficial atualizada que confirme. Por via das dúvidas, segunda-feira vou dar um pulinho no correio…
Update:
Graças ao Augusto [Efetividade.net], que teve a bondade de ir até o TRE de Santa Catarina se informar sobre os procedimentos oficiais da justificativa, sabemos agora que o eleitor que estiver viajando pode justificar a ausência nas eleições após o retorno ao Brasil. Ele escreve:
O eleitor que estiver em país estrangeiro nos dias das votações deverá também justificar o não-comparecimento à urnas. Ele, entretanto, tem o prazo de 30 dias após a data do retorno ao Brasil para fazer a justificativa junto ao cartório eleitoral, bastando estar de posse de seu título e alguma prova material de que estava no exterior, como passaporte, passagem, etc.
Para outras informações sobre a justificativa, leia o post completo: Não votou nem justificou? Instruções oficiais explicam o que fazer.
* Vida de estudante: cama, mesa e banho
Posted on September 20th, 2008 by Fernanda. Filed under vida de estudante.
Todo mundo passa por isso quando sai de casa. Não basta só ter onde morar, precisa de toda uma infra-estrutura interna, e não me refiro só aos móveis. Falo dos itens de cozinha, roupa de cama, banho e mais um monte de coisas que a gente só sente falta quando precisa e percebe que não tem.
Chegar num país estrangeiro e ter somente um quartinho com cama, mesa, cadeira, criado-mudo, armário e pia é complicado. Pior ainda é chegar nesse país no final da tarde, quando a maioria das lojas está para fechar e ter que sair correndo sem mal saber onde ir primeiro.
Decidi por começar pelo supermercado e comprar alguma coisa pra comer, e um item essencial: papel higiênico. Sim, porque aqui cada um tem o seu, não fica no banheiro – imagine a briga que ia dar! Também passei na farmácia pra comprar coisas de banho, já que só tinha trazido alguns itens de casa.
Na volta, passei na portaria para pegar meu bedding kit, um pacote com travesseiro, lençol, fronha e edredom, que eu já havia reservado do Brasil. Não tinha. Comassim, Bial?! A gente reserva essas coisas com antecedência pra não ter que se preocupar, e eles têm a pachorra delicadeza de avisar que não tem depois que todas as lojas já fecharam. Murphy, meu camarada, você por aqui?
Já meio conformada que teria de me virar com algumas toalhas e dois lençóis que eu trouxe de casa (a sorte!), o segurança da noite consegue me emprestar sorrateiramente um kit com travesseiro, fronha, edredom e capa – que depois eu descobri ser na verdade uma cortina, mas tá valendo, deu pra passar a noite. No dia seguinte, catálogo da Argos na mão, montei um kit joinha com dois travesseiros, edredom quentinho e fronha mais capa pro edredom (a chamada duvet cover, que aqui é vendida separada pra combinar com os lençóis), pagando menos da metade do que me cobrariam pelo bedding kit no alojamento. Epic win.
Passei ainda mais dois ou três dias fazendo várias viagens a tudo quanto era loja para conseguir as coisas de que precisava. Felizmente na cozinha já tinha alguns pratos e xícaras que os antigos moradores deixaram, então só precisei mesmo de talheres. E panelas, mas por enquanto ainda não cozinho, fogão elétrico é uma coisa estranha… Para o quarto ainda tenho pouca coisa, como deu pra ver no vídeo de dois posts atrás.
Ah, claro, a compra mais importante. Apesar de protestos diversos, tenho um EeePC 701 para me comunicar com o mundo. Não é o ideal, mas depois de configurar propriamente o teclado ele quebra um galhão. Esse negócio de Lan House não é pra mim, não. =)
Três dias não foram suficientes para comprar tudo, ainda falta bastante coisa, mas pressinto que esse será um trabalho de formiguinha. Não é fácil, não.
* Chá redondo
Posted on September 19th, 2008 by Fernanda. Filed under aleatoriedades.
Já que o mercadinho aqui em frente tem pouca variedade, me aventurei num supermercado próximo. Não que seja lá muito diferente dos que se encontra em São Paulo – é bem menor, aliás –, mas alguns produtos não se acha aqui e vice-versa, então é um pouco confuso no começo.
Felizmente é tudo bem sinalizado e não foi difícil encontrar os itens que eu queria: cereais, bebidas, esponjas de louça e chá. Eu bebo muito chá, e em Londres não poderia ser de outra forma! Peguei o meu básico, hortelã, camomila e sabores diferentes, um mix de frutas vermelhas. Na noite passada, quando fui fazer um chá de hortelã após a janta para ajudar na digestão (nota mental: curry congelado não é bom), tive uma surpresa divertidíssima. O saquinho de chá é redondo, e cabe direitinho no fundo da caneca!
Confira as fotos:
* Vida de estudante: um tour pelo flat
Posted on September 18th, 2008 by Fernanda. Filed under vida de estudante.
Explicar como funciona o alojamento para as pessoas está sendo complicado. “São quartos individuais, com cozinha, banheiro e lavanderia comunitários” é o roteiro básico, tirado da explicação dada nos materiais impressos da universidade. Mas o conceito nào é muito fácil de entender.
Confesso que eu mesma tinha uma idéia diferente, baseado nos dois alojamentos estudantis que conheço: o Crusp e um flat que visitei em outra universidade daqui. Quando eu li quartos individuais com cozinha, banheiro e lavanderia comunitários, imaginei que fossem espaços separados. Sabe, uma cozinha com copa, uma salinha com máquina de lavar (e talvez uma pia), um banheiro e quem sabe uma sala de estar comunitária – tá, nessa eu me baseei em Harry Potter, mas nos “apertamentos” do Crusp também tem.
Bom, a coisa não é tão glamourosa assim, é só um alojamento mesmo. O prédio tem um aspecto frio do lado de dentro, os corredores são estreitos, divididos por diversas portas corta-fogo, e o único espaço comunitário é o hall de entrada, que tem a recepção e dois elevadores. De resto, os flats são mesmo como está descrito no material da universidade.
Ainda está difícil visualizar? Então assista ao vídeo! Foi feito numa tomada só – não dá pra querer editar vídeo no Eee, né? – e ficou bem bobinho, mas foi divertido fazer.
* Depois da viagem
Posted on September 16th, 2008 by Fernanda. Filed under viagem.
Duas malas, uma mochila e um abraço apertado foi tudo que levei comigo para o aeroporto. O trânsito estava bom, já eram quase 22h, chegamos rápido e não tinha fila para o check-in. Tudo quase perfeito, não fosse o posto da Polícia Federal estar fechado – mas, sério, não ter declarado os eletrônicos que saíram comigo será o menor dos meus problemas na volta.
Larguei meus pais e minha irmã no embarque, passei pela segurança e fui esticar as pernas um pouco, achei que ainda tinha algum tempo. Pois o caramba que tinha, assim que coloquei os fones para ouvir o Nerdcast, li numa das telinhas “Embarque imediato: última chamada”. Última chamada para entrar no ônibus, vá lá, mas não perdi o vôo.
Viajar na classe econômica é desconfortável, ponto, o tempo da viagem só potencializa. A vantagem é assistir filmes que às vezes ainda estão em cartaz no Brasil. Pude ver O Reino Proibido (Jackie Chan e Jet Li), que não consegui assistir antes de vir pra cá. Não tinha Iron Man, mas a comida estava uma delícia.
Passar o tempo numa viagem longa é uma arte, realmente. A minha tática? Um comprimido de Dramin antes de decolar. O sono chega bem na hora em que apagam as luzes. =D
Passando pela imigração
Apesar de todo o terrorismo uns meses atrás, com gente tendo entrada recusada a torto e a direito sem a menor cerimônia, posso relatar que minha experiência foi tranqüila. O oficial da imigração parecia estar de bom humor, logo meu visto de estudante estava carimbado. Entretanto, pode ser que você não tenha a mesma sorte que eu, então tome algumas dicas para facilitar sua vida.
- Tenha à mão todos os documentos que comprovem suas boas intenções: carta da universidade, algum comprovante de que você tem onde morar e provas de que tem dinheiro pra se sustentar sem precisar de trabalho.
- Se você fez a lição de casa e já saiu do Brasil com o visto no passaporte, leve os documentos mesmo assim, não custa. Mas já entregue ao oficial o passaporte aberto na página do visto. Não me pareceu que eles costumam procurar, e eu quase levo um visto temporário de estudante.
- Acima de tudo, tente manter a calma. Quem não deve, não teme, afinal.
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